Degradação das veredas no Vale do Peruaçu está impactando na biodiversidade, aponta pesquisa

Vereda atingida por queimada na região de Pandeiros — Foto: Rúbia Fonseca / Arquivo Pessoal
Por Michelly Oda, Grande Minas

Um estudo coordenado por uma professora da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) está analisando os impactos da ação do homem e das mudanças climáticas nas veredas, especialmente, na região do Vale do Peruaçu, nos municípios de Januária e Bonito de Minas.
A coordenadora da pesquisa, professora Yule Ferreira Nunes, diz que a equipe identificou que as veredas passam por um processo de secamento, que leva ao comprometimento da biodiversidade.
“Algumas espécies típicas de ambientes úmidos, estão sendo substituídas por outras, características do Cerrado. Essa situação é preocupante, já que tem como consequência, uma perda na biodiversidade”, explica.
A professora destaca que a vereda é um tipo de ecossistema do Cerrado, que está associada à ocorrência do buriti e ligada ao afloramento do lençol freático. Conta com grande riqueza de espécies, serve de abrigo para animais e faz parte da cultura de comunidades tradicionais.
Yule Ferreira Nunes afirma ainda que as veredas funcionam como “esponjas”, armazenando água. Por isso, são extremamente importantes na regulação do fluxo hídrico. Desta forma, podem ser analisadas como um retrato do panorama hídrico, que apresenta situações preocupantes. Na região do Peruaçu, o lençol freático reduziu em média meio metro por ano; sendo que nos últimos 30 anos, a partir da primeira nascente, o Rio Peruaçu apresenta um quadro de secamento ao longo de 50 quilômetros.
“Com a pesquisa, esperamos ter mais argumentos para pressionar o poder público, que deve pensar na gestão hídrica de forma a minimizar e parar os processos de secamento, evitando a extinção de ambientes, que pode trazer perdas irreparáveis”, fala.
Por serem caracterizadas também pela presença de uma camada orgânica rica, que é acumulada durante centenas de anos, as veredas acabam sucumbindo a uma outra forma de degradação, as queimadas. A quantidade desse tipo de material somada ao secamento serve como combustível na presença do fogo.
“Essa cultura da queimada sempre existiu. As pessoas entendem que é preciso colocar fogo para o capim brotar. Como as veredas eram úmidas e cheias de água, o fogo não entrava. Mas uma vereda do Peruaçu ficou queimando durante um ano, o que chamou atenção da Nasa (Agência Espacial Americana) por causa da quantidade de carbono lançada na atmosfera”, lamenta.
Sobre a pesquisa
A pesquisa envolve o Programa de Pós-Graduação em Botânica Aplicada (PPGBOT) e os Departamentos de Biologia Geral e de Geociências, além de pesquisadores de instituições parceiras. O levantamento é realizado como um sítio do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD), com financiamento do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O PELD Veredas teve início em 2016, com o título “Colapso das Veredas no Sertão Mineiro: Efeitos Antrópicos Locais e Mudanças Climáticas Globais”. Conta com a participação 15 pesquisadores e 50 estudantes de cursos de pós-graduação e graduação.
Além da Unimontes, a pesquisa de longa duração envolve professores das Universidades Federais de Minas Gerais (UFMG) e de Lavras (UFLA) e do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do MEC.

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