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Povos tradicionais do Norte de Minas recebem doações de alimentos

ALIMENTOS – Doações começam a chegar a quilombos, aldeias indígenas e para os vazanteiros, considerados grupos vulneráveis
ALIMENTOS – Doações começam a chegar a quilombos, aldeias indígenas e para os vazanteiros, considerados grupos vulneráveis
Comunidades e povos tradicionais do Norte de Minas começam a receber ajuda para enfrentar esse período de pandemia. O Estado iniciou ontem a distribuição de cestas básicas na região para essa população, considerada de extrema vulnerabilidade. Para todo o território mineiro, serão entregues 5 mil cestas básicas.
A ação é realizada pela Defesa Civil Estadual, juntamente com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese). As doações buscam contribuir para a garantia da segurança alimentar dessas comunidades.
Ontem, os suprimentos começaram a ser entregues aos povos e comunidades tradicionais de Januária e também de Santa Luzia, na Grande BH.
No próximo dia 5, chegam a Montes Claros para atendimento ao município de Janaúba. Já no dia 6, será a vez de Januária. O benefício chegará também aos municípios de São Francisco, São João da Ponte, Itacarambi, Bonito de Minas, Brasília de Minas e Diamantina. Já em 13 de maio será a vez da população de Teófilo Otoni.
As cestas alimentares serão distribuídas, inicialmente, a quilombolas, indígenas, ciganos, circenses e vazanteiros (que vivem na beira de rios). Hoje, em Minas Gerais, já são reconhecidos 17 segmentos e povos tradicionais, como os apanhadores de flores sempre-viva, artesãos de barro e tecelãs, catingueiros, congadeiros, extrativistas, faiscadores, garimpeiros, geraizeiros, indígenas e pescadores artesanais. Muitos deles presentes no Norte de Minas.
 
CENÁRIO
Com o aumento do desemprego e a queda na produção rural, a pandemia de coronavírus agravou ainda mais a situação econômica dos povos e comunidades tradicionais. A proibição de espetáculos, por exemplo, afetou sobremaneira os circenses, enquanto a ausência de turistas nas principais cidades do interior do Estado prejudica as comunidades que têm como renda o artesanato ou a venda de produtos extrativistas.
Para o coordenador estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e dos Direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais da Sedese, Cléver Machado, essa ação é extremamente necessária para enfrentar os impactos da pandemia sobre essas pessoas.
“Tais povos possuem uma histórica vulnerabilidade imunológica e baixos índices de desenvolvimento humano. Com isso, nessas populações verifica-se um alto índice de doenças crônicas, tais como anemia, hipertensão arterial, desnutrição, diabetes, o que as categoriza como grupos de risco ante a pandemia de Covid-19”, afirma Cléver.
Segundo ele, o quadro é “agravado pelas barreiras de acesso desse público às políticas públicas de saúde, habitação, saneamento básico, segurança alimentar, sejam territoriais ou advindas do racismo e preconceitos por conta de suas origens étnico-raciais”.
Mais de 80 mil norte-mineiros estão aptos à Bolsa Merenda
Outra ajuda que está sendo repassada pelo governo de Minas é a Bolsa Merenda. O benefício começou a ser pago na última segunda-feira para alunos da rede pública estadual em situação de extrema pobreza. Em Montes Claros, 3.825 estudantes serão contemplados com o valor de R$ 50 para ser usado na alimentação diária. No Norte de Minas são 81.383 crianças e adolescentes aptos a receber a ajuda.
O programa foi criado para atender alunos que têm na merenda escolar a principal fonte de alimentação do dia. Com o fechamento das escolas, por causa do coronavírus, muitas se encontram privadas da refeição.
Em todo o Estado, deverão ser atendidos 380 mil alunos que atendem ao critério de extrema pobreza, de grupos com renda mensal de até R$ 89 por pessoa.
O Bolsa Merenda terá duração inicial de quatro meses – de abril a julho – e poderá ser estendido de acordo com o calendário escolar.
 
*Com Agência Minas

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